We Were Liars, de E. Lockhart.

Olá pessoal! Cá estou a escrever a resenha do tão comentando We Were Liars, um livro que adquiri em Janeiro e ficou guardado na estante por todo esse tempo até que decidi finalmente ler. Nessas horas eu me pergunto por que diabos eu sempre faço isso, pois o livro foi incrível e devia ter sido amado do modo devido.

Quando o Allison indicou esse livro em todos os cantos possíveis, eu fiquei muito curiosa sobre. Até por que você não pode simplesmente falar o desfecho do livro sem que estrague a história, e no começo eu fiquei tentada a ler esse “spoiler”, mas ainda bem que me contentei com as resenhas que lia por aí e finalmente pude entender por que as pessoas falam isso. O livro é fenomenal, escrito de modo simples, em primeira pessoa, onde você é levado a desvendar junto a Cadence, a narradora, o que aconteceu no verão de seus 15 anos da qual ela não se lembra. Sim, você será a acompanhante de uma jovem enfrentando transtorno de estresse pós-traumático e amnésia seletiva.

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A história apesar de ser narrada por Cadence, nos mostra a aparentemente perfeita família Sinclair. Todos são altos, belos, loiros, bem-educados, imponentes e inteligentes. O patriarca dessa família, Harris Sinclair, e sua esposa, Tipper Taft, tiveram três belas filhas que foram educadas nas melhores escolas, entraram para as mais prestigiadas faculdades e se casaram, dando assim ao sr. Sinclair vários netos, sendo a mais velha, Cadence. Tudo aparentemente é normal, uma família típica americana que mais me pareceu um comercial de margarina, onde todos são perfeitos, possuem belos cachorros – que existe no livro, haha – e amplas mansões brancas.

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A família Sinclair possui uma ilha privada, onde Harris construiu para si e para cada uma de suas famílias mansões/casas de férias para que eles passem todos os verões juntos, como a bela e perfeita família que eles são. Até que no verão de seus oito anos, Cadance conhece Gat, amigo de seu primo Johnny, e eles, juntos a Mirren, sua prima, se tornam grandes amigos que são chamados de “liars”. E todos os verões a partir da chegada desse garoto que está longe dos “padrões” Sinclair, se tornam especiais para Cady.

Até que vem o verão de seus 15 anos, onde ela se descobre encantada pelo desenvolvimento de Gat, por ele ser inteligente, ter uma mente aberta e possuir experiências que ela ainda não tinha na vida, ela se apaixona. Na verdade, é sentimento recíproco, mesmo que este tenha uma “namorada” na cidade em que mora. Isso não os impede de viver esses sentimentos novos, e apesar de Cady sentir ciúme e angustia ao descobrir que Gat tem essa pessoa na vida, ela não demonstra – ela é uma Sinclair e ela nunca deixaria que as pessoas vissem suas fraquezas e falhas.

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E esse verão acaba com uma tragédia da qual ela não se lembra. Ela acorda em hospital, com vagas memórias e dores de cabeça. Após esse acontecimento, ela se atrasa na escola, ela pinta seu perfeito cabelo loiro de preto, ela emagrece, fica descuidada, perde interesse em seus bens materiais e torna-se dependente fortes remédios que nem sempre conseguem lhe livrar de suas enxaquecas. Ela não volta a ilha no verão de seus dezesseis anos, indo com seu pai para uma viagem à Europa e, apesar de tentar, não consegue ter notícia alguma de seus mentirosos.

Ela envia e-mails, mesmo sabendo que seus primos ignorarão sua fraqueza, já que ela não obtém nem respostas de Gat e isso a deixa cada vez mais deprimida. Os remédios se tornam constantes, os anos se passam e ela já não é mais a bela Sinclair que fora um dia, com a memória falha e dores que a não deixam em paz. Só consegue voltar a ilha aos dezessete, com o intuito de descobrir o que houve, de ver seus amigos e sua família – mas nenhum deles se dispõe a explicar o que acontecera com ela naquele verão de seus quinze anos. Foi recomendado que ela somente poderia descobrir sozinha, pois por mais que falassem no começo, ela negava e esquecia. Ela revê Gat, Mirren e Johnny e, apesar de todo cuidado que todos da família possuem ao seu redor nessas quatro semanas na ilha, ela está cada vez mais decidida em desvendar o mistério atrás sua amnésia e dores.

A amizade volta, o romance com Gat também, mas as ilusões entre as paredes daquelas belas casas passam a ruir. Vemos uma família extremamente orgulhosa, interesseira e um patriarca que sabe que tem o poder de manipular suas filhas, que não tiveram sucesso em suas carreiras e muito menos em seus casamentos, ou seja, elas estão dependentes deles e elas brigam pela herança, fazendo de seus filhos objetos para encantar esse senhor que já tem uma mente confusa e que quebrou um pouco mais após ao falecimento de sua esposa. Vemos a falta de espaço que Cady tem para ser ela mesma sem ao menos ser repreendida por sua mãe, pois ela deve ser uma garota normal e que é eternamente grata ao seu avô por todas as oportunidades que lhe foram dadas.

E o mistério continua e só nos é revelado nas últimas páginas do livro.

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Acredito que o que narrei acima tenha sido meio confuso, mas é basicamente o que há no livro sem que eu dê spoilers. É um pouco difícil já que a capa da edição que eu tenho já possui um baita spoiler e até mesmo o título já nos dá uma noção do que há, mas você só vai descobrir no final. Frustrante, não é? Acredite, a sensação é devastadora enquanto você lê.

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A escrita de E. Lockhart é simples, mas não tão fácil de ser compreendida. Há metáforas durante todo o livro, já que estamos boa parte do livro na cabeça da Cady ou ao seu lado, observando os limitados fatos que ela pode nos apresentar. Por gostar de ler e se lembrar de contos clássicos, há a presença de contos que a personagem cria, a que remete aos acontecimentos da família Siclair, onde ela sempre narra o rei com três belas filhas, sendo cruel, amável, intolerante e tudo que o avô dela realmente é. No meu caso, os contos serviram para me ajudar a entender a posição alpha que Harris tem na família, mostrando o lado bom e sombrio dele.

Quando o mistério do que aconteceu com Cady é lhe apresentado nas primeiras páginas dos livros, você já é preparado pela autora a tentar desvendar junto à personagem o que houve. É simples, você vai criar muitas teorias de simples detalhes que a autora coloca no texto e no final… Não servirá para nada. Ao ver a resenha de outras pessoas que comentavam sobre teorias que criaram ao longo do enredo, eu vi que há uma certa semelhança com as que eu criei e comecei a rir pensando na autora rindo de modo assustador e falando “bobos”. De fato, foi como me senti. Fiz algumas marcações, anotei algumas coisas na minha agenda, tentando interligar certos acontecimentos, mas… Não serviu para nada. Tipo: NADA.

O final salvou o livro. Cheguei à conclusão que se acontecesse algumas das teorias que criei, eu atribuiria uma avaliação vaga, mas o desfecho foi de quebrar meu coração em pedacinhos e pisar em cada um deles. Eu chorei, muito, por que eu não estava esperando tanto de uma história que estava levando para outro rumo. Parece que você é arrancado de uma realidade e se depara com algo assustadoramente triste e cruel (por parte da autora) e se vê aos prantos.

Não foi bom só por que eu chorei, mas por que E. Lockhart fez dessa história um thriller inteligente, forte e envolvente. Você não encontrará dificuldades em termina-lo, mas de superá-lo. Faltam palavras para descrever o quão incrível essa autora é e o que ela faz com o leitor.

Mas só preciso deixar claro há somente duas diferenças entre os que já leram esse livro: os que amam, no meu caso, e os que odeiam, onde há um grande número. Quando eu busquei resenhas para ver se comprava ou não a edição americana, me deparei com esses extremos e depende de como você vai ler essa história. Muitos possuíam grande expectativa sobre esta obra, que em certos casos atenderam ao público que esperava um desfecho surpreendente, e de outros que… Não gostaram tanto assim. Não voltei a ler tais resenhas para não pegar spoiler, mas estou pensando e ir lá para entender o ponto deles, mas esta resenha é basicamente o meu.

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E esta é a indicação de hoje. Caso se interessem, o livro foi lançado pelo selo Seguinte da Companhia das Letras sob o título “Mentirosos” e a edição é bem bonita. Não sou a melhor para analisar traduções, mas não senti muita dificuldade de lê-lo em inglês por tão simples que a escrita é. Mas não se enganem por isso, E. Lockhart vai lhe destruir, e você vai amar. Caso gostem ou desgostem, gostaria de saber sua opinião sobre nos comentários e espero que esta resenha tenha despertado a curiosidade de vocês para ler essa obra.

Até a próxima!

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